Mexendo em algumas coisas antigas hoje, encontrei alguns bilhetinhos.
Neles estavam escritos palavras de amor, amor inocente, amor de irmão. Meu melhor amigo me amava e sempre fazia questão de escrever isso pra mim, todos os dias. Naquela época ele cuidava de mim, preocupado que um dia eu fosse estragar minha vida, preocupado comigo, que era praticamente sua irmã. Eu nunca cheguei a ligar muito, mas ele era tudo pra mim e sabia disso.
É engraçado lembrar o quanto nós nos dávamos bem. Eu cheguei a viajar e tirar fotos todos os dias pra ele, com legendas que só nós dois sabíamos pra quem eram escritas.
Mas quando as coisas estão perfeitas a vida gosta de mudar tudo.
Eu fiquei com o meu amigo o tempo que ele precisou de mim, na parte mais difícil da vida dele. Esse era meu papel, ajudar ele a passar por aquilo, assim como ele me ajudou a manter a sanidade.
Agora que ele está bem de novo, nós nos afastamos.
Eu sei que deveria retribuir e cuidar dele, mas nós somos grandinhos e ele não é meu irmão mais novo, faz suas próprias escolhas. Dói admitir, mas eu não dou para ele a mesma atenção que eu costumava dar.
Eu ainda o amo. Mas não como antes. O amor que eu sentia por ele ficou com o meu amigo de antigamente. Ele é outra pessoa hoje, não poderia ser diferente.
Mas às vezes machuca. Hoje ele me disse “Eu sinto sua falta”. Foi naquele momento que eu consegui pela primeira vez dizer a verdade pra ele, “Eu também sinto, mas você sabe que nunca mais será a mesma coisa”. Ele também sabe.
Nós dois sempre sentiremos um carinho enorme pelo outro e não deixaremos de tentar manter a amizade que restou, mas eu tenho que ser justa com ele e confessar, nem que seja aqui.
Ele era uma das únicas coisas boas daquela época e nós precisávamos um do outro.
Mas hoje temos outras pessoas em nossa vida e damos preferências a elas, afinal apesar de tudo, nós dois estamos bem melhor agora.
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